terça-feira, 17 de março de 2009

Encontrando amigos em terras distantes

ANTES DE LER:

ANDRE GOSTA DISSO:
PARA OUVIR: MIGUEL MIGS ( naked music )
PARA LER: JOSÉ RÉGIO - CANTICO NEGRO


Após uma longa tarefa para ajudar um outro amigo fui com o doido do Marcelo em uns restaurante que ele tinha uns amigos. Fiquei assustado quando ele relatou que bebia todo o dia e que eu iria encontrar somente malucos trabalhando por lá, mas pelo menos eram amigos e talvez tivessem trabalho, fui ver né, quem sabe?

Mal chegamos no lugar o Sub-chef um cara gente finíssima já perguntou pra gente vocês querem beber o que? Querem comer o que? Em um restaurante lindo, a beira mar, com capacidade para pelo menos umas duzentas pessoas, pensei que ele estivesse brincando. ERA SÉRIO MESMO. RSRS
Em menos de dez minutos o Marcelo já com a cerveja na mão e chegou um lanche lindo para a refeição, mas eu fiquei com medo de comer pelo tamanho, era enorme!!! Tinha umas batatas fritas diferentes em volta, quando ví nem acreditei, segundo o marcelo, aquela refeição sairia pelo menos 70 dólares lá, o lanche era diferentão, tinha além do hamburguer, ABACAXI, BETERRABA, era delicioso e diferente, nesta primeira experiência já ví que o Marcelo era querido no lugar, já tinha ido procurar emprego aqui e nem água eu tinha ganhado. rsrsr
Quando fiz a questãoa respeito do trabalho.......I'm look for a job, o sub chefe riu e disse que estavam todos na mesma situação, e quem tinha estava segurando e não largava...
Beleza, saldo positivo, fui bem tratado, comi e bebi de graça. Infelizmente não rolou o trabalho, mas continuarei tentando.
Quando o Marcelo disse que estava indo embora o Sub chef disse: Você esta intimado para almoçar aqui amanhã, vou te preparar alguma comida especial, o que você quer comer?
Pra ser sincero, estou neste exato momento estufado como diria o pica pau, mas pensando em estar lá amanhã com o MARCELO. KKK
QUEM SABE NÉ?


Decidí postar também o lindo poema do José régio que se chama cântico negro, pois é lindo e tem muito e ver com este momento na minha vida aqui em sydney.



“Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

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