“Porque em ti está a luz do mundo, a única luz que pode ser projetada sobre o caminho. Se és incapaz de percebê-la dentro de ti, é inútil que a procures noutra parte. Está fora do teu alcance, porque, quando chegares a ela, já não te encontrarás a ti mesmo. É inatingível, porque retrocede sempre. Estarás no seio da luz, mas nunca tocarás a chama.”
“Luz no Caminho”, Mabel Collins
André gosta disso:
PARA ASSISTIR: LAVOURA ARCAICA O FILME
PARA OUVIR: ZÉLIA DUNCAN - HÓSPEDE DO TEMPO
Hoje me perguntei novamente quem sou eu?
A minha Jornada me ensinou que sou em homem a caminhar no tempo. Mas como caminha-se em uma medida que não existe? Uma medida criada por nós homens como mais uma forma de regra.
Um tempo que talvez nos auxilie a praticar a paciência, “sou passageiro do tempo tentando entender, erro e acerto os caminhos aprendendo a viver” ouvi outro dia em uma canção muito especial. Para RADUAN NASSAR o tempo é um tesouro e vale a pena recordar um texto riquíssimo como este:
“O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; é um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo entretanto prover igualmente a todo mundo; onipresente, o tempo está em tudo; existe tempo por exemplo, nesta mesa antiga: existiu primeiro uma terra propícia, existiu depois uma árvore secular feita sobretudo de anos sossegados, e existiu finalmente uma prancha nodosa e dura trabalhada pelas mãos de um artesão dia após dia; existe tempo nas cadeiras onde sentamos, nos outros móveis da família, nas paredes da nossa casa, na água que bebemos, na terra que fecunda, na semente que germina, no pão em cima da mesa, nos frutos que colhemos, na massa fértil dos nossos corpos, na luz que nos ilumina, nas coisas que nos passam pela cabeça, no pó que dissemina, assim como em tudo que nos rodeia; um homem tido não é aquele que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas; rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os seus favores e não a sua ira; todo equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar e a quantidade de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é”( ...)
"Não sou meus átomos, eles vêm e vão.
Não sou meus pensamentos, eles vêm e vão.
Nao sou meu ego, a minha auto-imagem muda.
Sou acima e além disso; sou a testemunha, o intérprete, o self além da auto-imagem. Este self não tem idade nem limites de tempo."
deepak
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